O Comitê Permanente de Equidade de Gênero e suas Interseccionalidades da CAPES lançou, neste mês de março, o Programa AURORA, uma iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento da permanência e progressão de mulheres na carreira acadêmica, especialmente aquelas que vivenciam a maternidade.
A proposta oferece apoio técnico-científico a professoras grávidas ou mães de crianças de até dois anos, vinculadas a programas de pós-graduação stricto sensu recomendados pela CAPES. O suporte ocorre por meio da concessão de bolsas de pós-doutorado, permitindo que essas pesquisadoras mantenham suas atividades de ensino e pesquisa durante um período crítico de suas trajetórias profissionais.
A criação do programa responde diretamente ao chamado “efeito tesoura”, fenômeno amplamente documentado que evidencia a redução da participação feminina à medida que se avança na carreira científica. Embora as mulheres representem a maioria entre estudantes de pós-graduação — com mais de 50% das matrículas — essa presença diminui significativamente nos níveis mais altos da docência e liderança acadêmica.
Estudos nacionais e internacionais demonstram que a maternidade impacta diretamente a produtividade científica das mulheres, ao contrário do que ocorre com os homens. Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas estruturadas que promovam condições reais de equidade.
Nesse contexto, iniciativas como o AURORA dialogam diretamente com grupos e programas acadêmicos comprometidos com a inclusão e diversidade, como o GAM (Grupo de Apoio à Mulher), que reúne docentes e discentes engajados na construção de um ambiente universitário mais equitativo e representativo. A participação e mobilização desses grupos são fundamentais para ampliar o alcance e o impacto de ações institucionais dessa natureza.
Além do apoio direto às pesquisadoras, o programa também prevê a produção de dados e evidências sobre os impactos da maternidade na carreira científica, contribuindo para o aprimoramento contínuo de políticas públicas no Brasil.
O Programa AURORA representa, portanto, um avanço significativo na agenda de equidade de gênero na ciência, reafirmando o compromisso da CAPES e da comunidade acadêmica com a construção de uma universidade mais justa, diversa e inclusiva.
Fonte: Denise Pires de Carvalho